Capitulo Dez
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Fe e Obras

Fe e Obras

Tiago faz uma pergunta que ecoou atraves dos seculos: «Meus irmaos, que aproveita se alguem disser que tem fe, e nao tiver as obras? Porventura a fe pode salva-lo?» E depois oferece um exemplo concreto: se um irmao ou irma estiver nu e tiver falta do mantimento quotidiano, e algum de vos lhes disser «ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos» sem lhes dar o necessario, de que proveito isso?

A fe genuina se manifesta. Nao permanece escondida no coracao como conviccao privada. Transborda em acoes. «Assim tambem a fe, se nao tiver as obras, e morta em si mesma», conclui Tiago. Nao porque as obras nos salvem — Paulo e claro em que somos salvos pela graca mediante a fe — mas porque a fe verdadeira inevitavelmente produz fruto.

Jesus ilustrou isso com a parabola do juizo final. O Rei separa as ovelhas dos cabritos, e o criterio nao e doutrina correta nem presenca em reunioes. E algo muito mais simples: «Tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisao, e fostes ver-me».

O assombroso e que os justos nem sequer lembravam de ter feito essas coisas. Nao agiram para ganhar pontos nem para serem vistos. Simplesmente amaram — e ao amar o mais pequeno, sem saber, amavam o proprio Cristo. «Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmaos, a mim o fizestes».

Paulo, o apostolo da graca, tambem entendia isso. Depois de explicar a salvacao pela fe em Efesios, imediatamente acrescenta: «Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andassemos nelas». Nao somos salvos pelas obras, mas somos salvos para obras. E o proposito mesmo de nossa nova criacao.

Como isso se parece na pratica? Nao necessariamente em gestos grandiosos. Jesus falou de dar um copo de agua fria em seu nome. Falou da viuva que deu duas moedas pequenas. As pequenas fidelidades importam. A palavra amavel ao desanimado. A paciencia com o dificil. O tempo dado a quem precisa. A generosidade silenciosa que ninguem aplaude.

Joao resume com clareza meridiana: «Meus filhinhos, nao amemos de palavra, nem de lingua, mas por obra e em verdade». O amor cristao nao e sentimento que fica no coracao. E acao que sai ao mundo. Sao as maos e os pes de Cristo se movendo hoje, atraves de nos, em direcao a um mundo que precisa desesperadamente ver esse amor encarnado.

A pergunta nao e quanto podemos fazer — sempre havera mais necessidade do que podemos cobrir. A pergunta e se estamos disponiveis. Se quando o Espirito impulsiona, obedecemos. Se quando vemos necessidade, respondemos. Nao como carga pesada, mas como expressao natural do que Cristo fez em nos. Amamos porque ele nos amou primeiro. Damos porque ele se deu primeiro. Servimos porque ele veio para servir.